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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Estação chuvosa ainda não elevou nível dos açudes

Juazeiro do Norte. Com 20 dias de estação chuvosa em todas as regiões do Estado, o volume das precipitações ainda é insuficiente para que os reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) apresentem mudanças em relação ao volume de água já armazenado.

Os últimos levantamentos realizados pela Companhia demonstram que nas 12 bacias hidrográficas do Ceará o volume de armazenamento permanece em 29,8% da capacidade total de reserva, o equivalente a cerca de 5,5 bilhões de metros cúbicos de água, mesmo índice registrado no período que antecedeu o início das precipitações. Duas bacias registram situações de maior gravidade, a Bacia Hidrográfica do Curu e Bacia Hidrográfica dos Sertões de Crateús, que por hora acumulam apenas 7% e 3% de sua capacidade total, respectivamente.

Embora as precipitações ocorridas até o momento não tenham sido suficientes para recarregar os reservatórios monitorados pela Companhia, a avaliação é de que as chuvas já registradas têm ocasionado situações que beneficiam a população cearense como a redução da evaporação das águas de reservatórios e mananciais, além da recarga de cisternas e de poços profundos, por exemplo.

Vórtice

Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), as chuvas registradas no mês são provocadas por um sistema meteorológico conhecido como Vórtice Ciclônico de Altos Níveis. Esse tipo de sistema normalmente atua na pré-estação chuvosa (dezembro e janeiro), mas persiste neste mês, causando boas chuvas no sul do Estado. No entanto, as chuvas provocadas por este Vórtice Ciclônico estão perdendo intensidade até o fim dessa semana.

Em janeiro, a Funceme apresentou prognóstico da quadra chuvosa deste ano, apontando maior probabilidade para que o acumulado de chuvas no Ceará, em fevereiro, março e abril, ficar abaixo da média histórica. A Fundação explica, porém, que um ano com chuvas abaixo da média não significa ser um ano sem precipitações. Diz ainda que embora tenha havido chuvas com maior frequência na região do Cariri, nas outras sete macrorregiões do Ceará há déficit de precipitações.

Além disso, conforme avalia, para que os reservatórios pudessem ter captado maior volume de água as precipitações deveriam ter sido mais intensas e constantes, além de espalhadas nas demais regiões, garantindo, desta forma, maior segurança hídrica ao Ceará. Atualmente, o Estado ainda apresenta níveis críticos na maioria dos reservatórios monitorados pela Cogerh, efeito negativo de dois anos de estiagem severa.

Hoje pela manhã técnicos da Funceme participam de uma reunião climática em Natal, onde serão apresentadas as condições termodinâmicas dos oceanos e da atmosfera. O órgão irá considerar os modelos atmosféricos apresentados nessa reunião para emitir um segundo prognóstico em relação à quadra invernosa deste ano.

Este novo prognóstico mostrará as probabilidades de como ficará o acumulado de chuvas nos meses de março, abril e maio. O novo documento deverá ser divulgado amanhã, ou, no mais tardar, na segunda-feira.

Na madrugada de ontem voltou a chover forte na região do Cariri . Em Ipaumirim, casas ficaram alagadas por algumas horas, devido à intensidade da chuva que fez com que muitos esgotos retornassem para dentro das residências. As chuvas também foram responsáveis pela queda de um muro de arrimo de uma construção em andamento nas imediações da ladeira que dá acesso ao bairro Alto dos Bandeirantes, próximo ao Centro da cidade. Não houve registro de morte ou de feridos.

Estradas vicinais

Na zona rural do município as precipitações fizeram crescer o volume de água nos reservatórios que se encontravam com carga hídrica insuficiente para atender a demanda. O açude Grande, no Serrote, tomou boa carga de água conforme informou o secretário de Infraestrutura do município, Jairton Jorge Pereira, que visitou na manhã de ontem algumas comunidades da zona rural de Ipaumirim.

Segundo ele, as estradas vicinais, que haviam sido recuperadas recentemente, apresentam dificuldades de tráfego de veículos. As regiões de Bananeira, Serrote e Sítio Zé Vieira são as mais afetadas. No entanto, mesmo com a dificuldade de locomoção, o transporte escolar foi mantido em todas as localidades como forma de garantir a presença do alunado nas unidades de ensino. Na localidade de Bananeira, um pequeno açude construído para garantir a manutenção de água para os animais chegou a transbordar. Há riscos da parede do reservatório não suportar o volume de águas se voltar a chover no município.

As chuvas também causaram alagamentos em ruas da cidade de Crato, onde foram registrados 107mm de precipitações. Nos arredores da agência dos Correios o entupimento das bocas de lobo voltaram a ocasionar acúmulo das águas pluviais. O canal do Granjeiro também apresentou grande volume de água. A Av. José Alves de Figueiredo ficou com lama pela manhã.

Canindé instala "Comitê de Crise"

Canindé Diante da possibilidade de um inverno irregular no Ceará e que não aconteçam chuvas suficientes para recargas dos açudes neste município, foi criado ontem o Comitê de Crise que contará com a participação do prefeito Celso Crisóstomo, presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), Nelson Bandeira, e demais autoridades municipais.

Para que as decisões possam ser tomadas de imediato, o prefeito assinou documento , decretando estado de calamidade pública no município com vigência de 90 dias. Em reunião realizada no gabinete do prefeito na manhã de segunda-feira, um plano de ações foi definido para o trabalho, que será feito de forma conjunta. As primeiras medidas adotadas pelo Comitê entraram em ação ontem.

Sete poços profundos e três cacimbões começaram a ser interligados na rede de distribuição de água da cidade, para atender 16 mil ligações, num total de 47.380 habitantes. "Todas essas reservas hídricas, irão garantir 64 mil litros de água por hora. Essas medidas visam fortalecer a demanda hídrica da cidade'', disse Celso Crisóstomo.

Segundo o chefe do Executivo, outra medida é o rigor na fiscalização das construções. "Não será permitido construir com água do Saae. Os lava jatos que não tiverem abastecimentos próprios serão desativados'', avisa o prefeito.

Celso explicou que o decreto de calamidade pública é para agilizar a compra de bombas para instalação dos poços com preços do Departamento Nacional Contra as Secas, Cagece e Sohidra, isso sem o processo da licitação.

"Na administração pública enfrentamos a burocracia, por isso tomamos medidas rápidas para encontramos água de qualidade para atender a nossa população'', frisa o chefe do Executivo.

"Decretamos estado de calamidade pública no município, não para criar terror, mas por estarmos enfrentando uma seca prolongada, onde verificamos critérios agravantes''.

O prefeito lembrou ainda que os dois açudes estão em cota mínima. O Escuridão tem 250 mil metros cúbicos, e o São Matheus, 270 mil metros cúbicos. Mesmo assim, este último será reativado. Para isso, um flutuante vai ser instalado para bombear água até a estação de tratamento do Saae. "Os dois juntos garantem água até o dia 10 ou 15 de março, mas com a interligação dos poços iremos garantir o abastecimento da cidade. A vida quer dar a gente coragem e temos que ter para resolvermos os problemas'', salienta Celso.

Em relação ao abastecimento dos carros-pipas, a água chegará às famílias da zona rural, vinda dos açude do Rato, em Itapebussu, e Edson Queiroz, em Santa-Quitéria, além de um poço perfurado na Fazenda Juá.

O prefeito de Canindé criticou os meios de comunicação da cidade pelo "terrorismo" causado nas informações em relação à situação de água na cidade. "O grau de abalo da população, da-se mais pela ação dos meios de comunicação de Canindé. Não vai faltar água".

O gestor municipal anunciou também uma medida a longo prazo para resolver a questão do abastecimento da cidade. "Nós vamos ganhar um adutora permanente de General Sampaio até Canindé num percurso de 34km". A obra vai custar R$ 20,2 milhões, e deverá ser feita em prazo de 120 dias, conforme projeto inicial.

Roberto Crispim (Colaborador)

Diário do Nordeste

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