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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Postos de saúde do Ceará têm 400 médicos a menos que o ideal


A primeira porta do cearense à saúde pública é o posto do bairro, onde se concentram os serviços básicos e as mais constantes reclamações da população, desde a falta de profissionais à de insumos. No Ceará, conforme o governador Camilo Santana, são necessários, pelo menos, "mais 400 médicos para garantir que os municípios sejam contemplados com atenção primária". Para tentar suprir a demanda, foi lançado ontem o programa Médico da Família Ceará, que deve ampliar o quadro de trabalhadores na Capital e no interior.

O programa, uma parceria do Governo do Estado e da Prefeitura de Fortaleza, funcionará como uma "pós-graduação em serviço", ou seja, os novos médicos contratados receberão uma bolsa-formação de quase R$ 12 mil para atender nos postos de saúde e, ao mesmo tempo, realizar uma especialização na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE). O valor é igual ao pago pelo Governo Federal no Mais Médicos. De acordo com Camilo, o edital deve ser lançado em janeiro, e os profissionais já estarão atuando em março.

A única cidade com número de médicos definidos é Fortaleza: 140 novos profissionais de saúde devem começar a atender exclusivamente nos postos da Capital, com prioridade para os bairros Vila Velha (Regional I), Bom Jardim (V), Jangurussu e Conjunto Palmeiras (ambos Regional VI). "São áreas de maior carência de profissionais e onde precisamos investir mais, por terem os piores indicadores, mais assentamentos precários e população vulnerável", avalia a secretária municipal de Saúde, Joana Maciel. "A ideia é estimular a adesão dos médicos à atenção primária, para trabalhar a prevenção e diminuir as filas em hospitais de maior complexidade".

Apesar de sancionada a lei que lança o programa, o número de vagas destinadas ao interior do Ceará ainda é desconhecido, já que a quantidade de profissionais agregados pelo Mais Médicos aqui ainda não está fechada.

"Precisamos esperar a conclusão desse edital, para que os municípios possam identificar as deficiências que ficaram e aderir ao projeto", aponta o titular da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Henrique Javi.

Segundo ele, um levantamento das regiões com necessidade mais urgente está sendo feito pela Sesa junto à Associação dos Municípios do Estado (Aprece) e ao Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), a fim de estabelecer prioridades na distribuição dos contratados. Cerca de 30% dos municípios cearenses tiveram equipes de saúde da família desfalcadas após a saída dos profissionais cubanos. Em São Benedito, por exemplo, o quadro foi reduzido de 12 para cinco médicos. Além disso, o preenchimento das vagas do programa federal por brasileiros não é sinônimo de solução.

"As cidades menores e mais distantes de Fortaleza são as mais prejudicadas. O edital do Mais Médicos no Ceará foi todo preenchido, mas à medida que chegam a esses locais, os médicos desistem de assumir", lamenta o presidente da Aprece, Gadyel Gonçalves.

"Perdemos 450 médicos, e 268 estão homologados na seleção federal em curso. Os 1.997 profissionais do Mais Médicos que atuam aqui representam apenas 76% de cobertura da saúde da família. Para alcançar 100%, precisaríamos de mais 400", contabiliza Camilo Santana, afirmando ainda que "a demanda mais urgente neste momento é de médicos, mas a nova lei garante ampliação de todos os profissionais de saúde dentro do Médico da Família Ceará".

Redução

Na Capital, o número de agentes do Mais Médicos foi reduzido de 230 para 178, gerando um déficit de 52 profissionais, que, segundo projeta o prefeito Roberto Cláudio, será reposto com os 140 novos postos de trabalho.

"Apesar disso, continuamos brigando para receber mais profissionais do Mais Médicos, para atender com prioridade às áreas mais vulneráveis da cidade".

Os recursos para bancar o novo programa de ampliação da quantidade de médicos na atenção primária no Ceará serão aportados pelo Governo do Estado de forma integral nos municípios menores e parcial nas localidades médias, que possuem melhores condições financeiras.

Já na Capital, onde serão investidos cerca de R$ 20 milhões por ano para manutenção do Médico da Família Fortaleza, a Prefeitura será responsável pelo pagamento integral das bolsas-formação.

Fonte: Diário do Nordeste

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