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quinta-feira, 28 de março de 2019

Cearense é selecionada para evento em Harvard após concorrer com mais de 500 estudantes


Leilane Oliveira Chave, aluna de doutorado da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi selecionada para participar de um evento na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, após concorrer em uma seleção com 540 estudantes de 21 países. Além da cearense, que faz parte do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente  (Prodema), outros dez brasileiros foram selecionados para o evento, porém Leilane é a única nordestina entre os participantes — que são 16 do mundo todo.

O evento acontece no próximo dia 10 de maio, e é organizado pelo Instituto de Pesquisa Afro-Latino-Americano Hutchins Center da universidade americana. A mostra reunirá as melhores teses de doutorado sobre temas afro-latinos-americanos. A pesquisa de Leilane aborda a temática dos modos de vida e os conflitos pelo uso dos recursos naturais na comunidade quilombola do Cumbe, no município de Aracati.

“Eu sempre gostei de trabalhar temas relacionados à afro-brasilidade porque é como eu me identifico, como negra. Então é uma temática que eu sempre tive interesse por identificação pessoal. Desde o mestrado, trabalho com comunidades quilombolas”, revela a doutoranda.

“É uma sensação muito boa de orgulho por estar participando de um evento tão grande, com discussões, oportunidade de receber contribuições tão grandes de outros professores que vão estar lá participando desse evento”, complementa a pesquisadora cearense.

O envolvimento com as comunidades pesquisadas, inclusive, foi fundamental para a inscrição na seleção do programa. “Foi um morador da própria comunidade, o ‘João do Cumbe’, que viu a chamada (do evento), acho que no site da Capes (Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e enviou para uma das professoras que trabalha comigo”. A docente em questão é Adryane Gorayeb, vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFC.

Para Adryane, a participação tem  repercussão  fundamental no reconhecimento do trabalho desenvolvido. “Isso denota o impacto social positivo das pesquisas desenvolvidas na UFC. O prêmio revela a qualidade do trabalho desenvolvido, ou seja, como um dos melhores do mundo. Nós somos capazes de desenvolver trabalhos acadêmicos de alta qualidade, dentro da área das Ciências Humanas, apesar do preconceito que existe com essa área”, complementa a vice-coordenadora.

Além do reconhecimento para a pesquisa acadêmica, a participação vem como oportunidade de destaque às comunidades e temas estudados. “Dar visibilidade  é uma das maiores contribuições que a gente pode dar para as comunidades. Mostrar que elas existem, quais são as condições de vida desses moradores. Essa é a maior contribuição que posso deixar. Sinto-me feliz não só por mim, como pesquisadora, mas também em ‘levar a comunidade comigo’’”, finaliza a estudante da UFC.


Fonte: Diário do Nordeste

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