terça-feira, 21 de abril de 2020

Dados de localização de celulares mostram redução do isolamento social no Ceará



Durante um mês de validade do decreto estadual que institui o distanciamento social como uma das principais ações de combate ao novo coronavírus, o índice que mede o isolamento por meio de aparelhos telefônicos apresentou redução semanalmente no Ceará. Os dados são da empresa de tecnologia In Loco e utilizam como base informações de aplicativos de celulares.

No último sábado, 18 de abril, data mais recente do levantamento realizado pela empresa mostra que o índice estava em 54,4% - o menor para esse dia da semana desde o início da quarentena no Ceará.

No comparativo entre os estados, o Ceará ocupou a 3ª posição entre os que mais obedecem às restrições de circulação, atrás apenas de Goiás, com 57,4%, e Distrito Federal, com 56,3%.

Há cerca de um mês, em 21 de março, primeiro dia após o decreto do governador Camilo Santana (PT) entrar em vigor, o índice abrangia 63,9% da população cearense. No dia seguinte, domingo (22), a taxa atingiu seu recorde: 71% ficaram em casa. Na semana anterior à quarentena, o índice ficava entre 31% e 44%.

Análise por semana
  • 23 a 27 de março: variação de 57% a 64%
  • 30 de março a 3 de abril: entre 49% e 55%
  • 6 e 10 de abril: variação de 52% a 60%
  • 13 a 17 de abril: entre 49% a 53%

O relatório usa informações enviadas por aplicativos parceiros para aferir deslocamentos dos usuários. A In Loco afirma que a coleta de dados só é feita com a permissão dos usuários dos apps. Além disso, a empresa diz não repassar informações como nome, RG ou CPF.

O padrão de queda no isolamento se repete nas dez cidades com maior número de casos da Covid-19: Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Eusébio, Sobral, Horizonte, Maranguape, Quixadá e Pacatuba.

Em Juazeiro do Norte, Limoeiro do Norte e Iguatu, cidades do interior que também chamam atenção da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), também houve decréscimo - na última semana, alguns dias chegaram a ficar abaixo de 50%.

De acordo com a enfermeira e mestra em Saúde Coletiva Manuela Martin, a prorrogação da quarentena garante a estruturação do sistema de saúde por mais tempo.

“Não queremos chegar ao ponto de definir quem tem que ser atendido primeiro, de quem vai ter o direito à vida. É um vírus novo, agressivo, com quadros clínicos severos e para o qual a gente ainda não tem defesa. Isso tudo pode ser evitado com precaução”, diz.

Conforme a especialista, o Ceará ainda não alcançou o pico de casos, mas, depois de atingi-lo, alerta para o período de estabilização. “O número não irá subir, mas se manter para, depois, a curva cair. Não sei quanto tempo vai durar, até porque o isolamento não está 100%”, reitera.

Na análise do gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, Antônio Silva Lima Neto, a única alternativa é o isolamento. “É um momento de expansão dos casos, de interiorização. Não há elementos que possam flexibilizar isso. Se formos discutir Fortaleza, os casos precisam estar diminuindo, as internações e mortes também”, reforça.


Por G1CE

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