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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Motorista de aplicativo é condenado a prisão por estupro e roubo


O motorista do aplicativo 99 Pop Patrick Carneiro do Nascimento, preso por cometer crimes sexuais contra várias clientes em Fortaleza, foi condenado a 14 anos e 4 meses de reclusão, inicialmente em regime fechado, pelos crimes de estupro e roubo, pela 3ª Vara Criminal da Justiça Estadual.

A sentença, que também decretava a prisão preventiva do acusado, foi proferida pelo juiz no dia 6 de maio último, mas não foi divulgada porque o processo está sob sigilo de Justiça. A defesa - realizada pela Defensoria Pública Geral do Estado - recorreu da condenação, mas o recurso ainda não foi julgado, conforme informações do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).

A reportagem apurou que Patrick responde a mais quatro ações penais no TJCE, que tramitam na 7ª, na 14ª, na 15ª e na 16ª Varas Criminais. Duas delas são por estupro e roubo; uma por estupro; e outra por estelionato. Um dos casos já está pronto para ser julgado. Enquanto isso, ele permanece em uma unidade prisional, no Município de Itaitinga.

A detenção e a condenação do motorista de aplicativo amenizam a dor de Thaís (nome fictício), vítima em um dos processos que corre na Justiça Estadual. "Já abriu um caminho, já me sinto um pouco mais segura", afirma. Thaís teve a vida social modificada após aquela corrida que terminou no destino errado, no ano passado. "É muito complicado para mim andar só, não consigo confiar em mais nenhum motorista. Para o trabalho, consigo ir de transporte público. Mas para sair à noite, eu não pego mais aplicativo. Eu fico dentro de casa porque não saio, não vejo mais minhas amigas", revela.

A mulher pede para não falar sobre o dia em que ela foi vítima de estupro. "Eu tenho que ter acompanhamento (psicológico), mas nunca tive como continuar, por problema financeiro e falta de tempo", lamenta. O crime sexual afetou a família dela também: o pai fica nervoso sempre que a filha sai de casa; enquanto o irmão teve que sair do trabalho, logo após o caso, para ajudar a irmã no recomeço.

Repetição

O promotor Marcos William, do Ministério Público do Ceará (MPCE), responsável pela acusação ao réu no processo que tramita na 16ª Vara, acredita que o número de vítimas de Patrick do Nascimento é maior do que a Justiça conhece. "Provavelmente, tivemos outros casos, em que a vítima não procurou a Polícia. Muitas vítimas não têm coragem de fazer a denúncia. Só depois que os outros casos vieram à tona, ela veio denunciar, cinco meses depois", comenta, ao se referir à ação penal em que elaborou a denúncia.

O motorista do aplicativo 99 Pop repetia o 'modus operandi' nos crimes sexuais, na Capital. "Ele usava outro nome no aplicativo. As passageiras pediam a corrida, ele levava para as proximidades do bairro Dunas, as estuprava e subtraia, mediante violência, objetos das vítimas, dinheiro, celular, geralmente à noite", conta o promotor.

Após o estupro sofrido por Thaís, os seus familiares perceberam que a placa do veículo que Patrick dirigia era diferente das informações do aplicativo. "A placa era de uma moto. Como ela estava sem internet, só deu tempo de ela chamar o carro. Quando chegou, ela não conferiu placa nem nada. No bairro Dunas, tem uma bifurcação escura. Ele parou o carro, cometeu o abuso, bateu nela e mandou sair do carro. Ela procurou um condomínio perto e pediu ajuda", detalha um parente, que não quis se identificar.

Assistência

Thaís e os familiares reclamam que a 99 Pop nunca os procurou para oferecer qualquer tipo de ajuda e já os processou por danos morais - ação pela qual a empresa ainda será intimada.

A 99 Pop, em nota, afirmou que "lamenta profundamente os graves casos de violência ocorridos em 2018, em Fortaleza, envolvendo um motorista cadastrado na plataforma". Disse ainda que "baniu o condutor do aplicativo e colaborou ativamente com as autoridades nas investigações".

A empresa afirma ter adotado medidas para aumentar a segurança das corridas, como "a revisão do processo de cadastro de novos motoristas e a reanálise presencial de 100% da documentação dos condutores ativos na plataforma". Além disso, a 99 Pop lançou recursos de segurança como reconhecimento facial que identifica os motoristas antes de eles se conectarem ao app e algoritmo que rastreia denúncias de assédio e estupro deixadas nos comentários das corridas.

Sobre a denúncia de não ter prestado apoio à vítima, a empresa disse que manteve contato no período e ofereceu auxílio às famílias, que inclui informações sobre como obter o seguro que cobre acidentes pessoais dos usuários da plataforma. O aplicativo informou que a vítima e a família não realizaram a ativação do seguro.

Fonte: Diário do Nordeste

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