terça-feira, 7 de maio de 2024

Cinco meses depois, polícia não concluiu investigação sobre clientes filmadas nuas em clínica de estética


 

Cinco meses após clientes denunciarem que foram filmadas nuas ou seminuas, sem autorização, pela dona de uma clínica de estética que funcionava no Bairro Messejana, em Fortaleza, a Polícia Civil ainda não concluiu a investigação sobre o caso.

As vítimas só descobriram o ocorrido em dezembro de 2023, após as imagens gravadas indevidamente serem expostas nas redes sociais por um perfil que alegava ter o objetivo de desmascarar a esteticista Valdineide da Silva Silveira.

À época, Val Silveira, como é conhecida, disse em depoimento à polícia que foi alvo de uma quadrilha que instalou aplicativos que permitiam controlar o celular dela. Segundo a empresária, os criminosos fizeram as filmagens das clientes nuas sem que ela soubesse.

Conforme a Polícia Civil, a Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza segue investigando as denúncias de crimes contra a dignidade sexual, que teriam sido praticados em ambiente virtual. Uma das vítimas é uma influenciadora.

Ainda de acordo com a polícia, a dona da clínica de estética, proprietária do perfil onde imagens das vítimas teriam sido publicadas, também registrou um Boletim de Ocorrência, onde afirmou que teve seu perfil invadido.

"A Polícia Civil ressalta ainda que outras possíveis vítimas também podem comparecer à unidade policial para repassar mais informações. A Delegacia da Mulher Fortaleza segue realizando diligências com o intuito de elucidar o caso. Mais informações serão repassadas em momento oportuno para não comprometer o trabalho policial", disse a Polícia Civil.

Em conversa com a reportagem, Val Silveira, afirmou que era extorquida por um homem com quem se relacionava online e pelos comparsas dele.

Conforme a mulher, ela vinha mantendo um relacionamento online com um suposto empresário de São Paulo, e os dois teriam marcado um encontro presencial em novembro em Fortaleza. O homem, porém, não apareceu no encontro, mas enviou um grupo de pessoas que teriam roubado seus celulares e afirmado que iriam controlar sua clínica.

No período entre o encontro e a publicação indevida das imagens, ela diz ter sido extorquida em cerca de R$ 10 mil.

A informação é diferente da que consta no boletim de ocorrência prestado pela dona da clínica, ao qual o g1 teve acesso. No documento, ela afirma que a quadrilha teria instalado aplicativos que davam acesso a todo o sistema do seu celular, e que nunca fazia vídeos das clientes por conta própria, apenas fotos.

No boletim de ocorrência, ela também diz que o grupo instalou aplicativos que permitiam controlar seu celular e que eles haviam feito as filmagens sem o seu consentimento.

Em conversa com o g1 no dia 12 de dezembro, contudo, a dona da clínica contou que ela mesmo havia feito as gravações, mas que estava sendo obrigada a gravar as clientes pelo grupo, e que não sabia qual o uso que eles fariam das imagens.

Ela também disse que o grupo vinha controlando as suas redes sociais há algum tempo, e que os vídeos começaram a ser publicados após descumprir as ordens deles.

 

Por Lena Sena , g1 CE

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