quinta-feira, 17 de junho de 2021

MP pede que escolas de Fortaleza ofertem opção de provas não presenciais



O Ministério Público Estadual do Ceará recomendou, nesta terça-feira (15), que escolas particulares de Fortaleza retirem a obrigatoriedade de os alunos realizarem provas e avaliações presencialmente.

Pais e mães de estudantes afirmam que há colégios na capital descumprindo o decreto estadual ao negar a opção de provas on-line. Em entrevista ao G1, duas mães alegaram que os filhos não foram vacinados, sofrem comorbidades como asma e temem o contágio das famílias. Há ainda adolescentes com diagnósticos como depressão e síndrome do pânico.

Conforme o Ministério Público, o Colégio Ari de Sá Cavalcante e Colégio Jim Wilson são duas das escolas que adotam apenas as provas presenciais e receberam a recomendação, enviada também ao Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Ceará (Sinepe-CE).

"O decreto determina que as escolas tenham 50% da capacidade, com distanciamento de um metro e meio entre cada aluno. Como vão controlar essas determinações com todos os alunos de forma presencial? E a minha filha foi diagnosticada com transtorno de pânico e ansiedade, ela não pode se socializar assim de repente, depois de um ano e meio sem ir à sala de aula", reclamou a mãe de uma aluna, que prefere não se identificar.

"Meu filho está ansioso, nossa família ainda não foi vacinada, o pai dele recebeu apenas a primeira dose. Não temos condições ainda de ter um adolescente, sofrendo de ansiedade, correndo risco indo à escola", diz outra mãe.

A recomendação do Ministério Público "orienta que, sob pena de medidas judicias cabíveis, as instituições de ensino sigam integralmente o Decreto Estadual, respeitando a porcentagem do retorno presencial dos estudantes do ensino médio e dando oportunidade de escolha pelo ensino remoto ou presencial".

O Ari de Sá afirmou que, no momento, não iria comentar a recomendação feita pelo Ministério Público. O G1 tentou contato com o Colégio Jim Wilson, mas as diversas ligações não foram atendidas.


Tentativa de reverter a medida

Um grupo de pais, mães e responsáveis por estudante do Ari de Sá procurou a coordenação da unidade para questionar a obrigatoriedade, mas segundo uma das mães a escola "não volta atrás" da decisão.

Os pais procuraram o Ministério Público do Estado do Ceará e a Vigilância Sanitária. Conforme decreto em vigor em todo o Ceará, caso seja constatado o desrespeito às normas sanitárias, o estabelecimento pode ser multado ou ter as atividades suspensas.

Ainda conforme a mãe de um aluno, o colégio argumentou que as provas seriam feitas de forma presencial para evitar cola. "Eles disseram que teve muita cola entre os alunos, o que reduziu o rendimento dos alunos e o desempenho da escola no Enem, mas a escola não pode punir todos por causa do erro de alguns. Minha filha não cola, ela é de turma especial, e houve queda no rendimento por causa da situação de pandemia", argumenta.


Por G1 CE


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