quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Bancada cearense cobra ao novo presidente da Câmara prioridade em debates sobre auxílio

 


Em meio à turbulenta eleição da nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, os parlamentares da bancada cearense já definem prioridades a serem discutidas em Brasília. Entre aliados e opositores do novo presidente, Arthur Lira (PP), é unânime a avaliação de que ele terá de pautar a prorrogação do auxílio emergencial e pressionar o Governo Federal por mais vacinas. No núcleo oposicionista, há dúvidas sobre a autonomia do recém-eleito presidente.

Para o deputado federal Pedro Bezerra (PTB), aliado de Lira na disputa, a vitória do novo presidente da Câmara não deve ser atrelada diretamente ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

''É mérito dele e dos apoios que conseguiu juntar. Muitos, inclusive, me questionam por ser aliado do (governador) Camilo Santana e do (senador) Cid Gomes e ter votado em um candidato do Governo. Minha obrigação em Brasília é conseguir recursos para o Estado. Essa interlocução é fundamental'', defendeu.

Segundo o parlamentar, o Centrão, grupo a que pertence Lira, cria possibilidades de diálogo ''fundamentais para o País sair da crise'', segundo ele. A interlocução que terá com a presidência da Câmara, de acordo com o deputado, servirá também para cobrar medidas contra a pandemia.

''Garantir uma quantidade maior de vacinas no menor tempo possível e, aliado a isso, estender o auxílio emergencial pelo menos até junho, porque se mostrou fundamental, como eram os programas de transferência de renda'', disse.

Também aliado de Lira, Capitão Wagner (Pros) avalia que o apoio que concedeu ao então candidato à presidência da Câmara trará benefícios além do acesso à Mesa Diretora.

''Vamos participar de relatorias importantes, e a vitória dele facilita a harmonia entre o Legislativo e o Executivo para que possamos buscar melhorias para nosso Ceará, que tanto precisa do Governo Federal'', disse.


Ações voltadas à pandemia

De oposição a Lira, o deputado federal José Airton Cirilo (PT) disse ser ''imprescindível'', tanto a nível regional quanto nacional, discutir a crise sanitária e econômica no Brasil. ''Precisamos exigir que o Executivo e nós, do parlamento, possamos prorrogar o auxílio, é uma questão humanitária, de sobrevivência das pessoas que estão passando privações'', defendeu.

''Temos que exigir também a questão de medidas, para enfrentar a pandemia, do governo federal, a vacinação'', ressaltou.

''A agenda principal do País é se reencontrar administrativamente, resolver a questão da vacina. Acho que o Lira foi muito feliz em citar em seu discurso essas questões. E, na economia, a volta do auxílio emergencial ou o fortalecimento de um programa de distribuição de renda'', disse Danilo Forte (PSDB), que não revelou o voto na Câmara.

Heitor Freire (PSL) defendeu debates semelhantes. ''Espero que o Lira faça um bom mandato, pautando projetos para vencer a pandemia e recuperar nossa economia'', disse. Ele ainda destacou a urgência de se discutir as reformas.

''Aprovamos em 2019 a Nova Previdência, mas em 2020, por conta da pandemia, não tivemos como priorizar as reformas tributária e administrativa'', ressaltou o cearense, que votou Marcel van Hattem (Novo).

Assim como os aliados de de Lira, Freire também atribuiu à vitória do candidato do PP à articulação do parlamentar, mesmo reconhecendo o apoio do Executivo.


Relação com o Governo Federal

O novo presidente da Câmara recebeu apoio massivo do Palácio do Planalto, que ofereceu cargos e influências na destinação de recursos para garantir os votos necessários ao então candidato. Lira nega que, sob sua gestão, o Executivo terá controle sobre o Legislativo. Além de mais autonomia aos deputados, ele promete diálogo aberto com o Governo Federal.

''Tenho certeza que esta Casa encontrará pontos mínimos comuns para, juntamente com os demais poderes, ajudar o povo brasileiro a enfrentar os traumas e as dores da pandemia'', disse em seu pronunciamento de abertura.

Aliado de primeira ordem de Lira no pleito interno da Câmara, Domingos Neto (PSD) saiu em defesa do deputado logo após o resultado ser proclamado. ''Não será jamais um presidente que comprometeria a independência do parlamento'', disse.

''Quem viu a fala dele, quem conhece o Lira sabe que ele também não será jamais um presidente que comprometeria a independência do parlamento'', acrescentou.

Mesmo integrando bloco de oposição ao presidente da Câmara, integrantes da bancada pedetista se mostraram cautelosos nas críticas. O deputado federal Idilvan Alencar (PDT) argumenta que a vitória de Lira não significa uma Câmara subserviente ao Planalto em todas as pautas. ''A eleição do Lira não significa que a oposição não vai estar vigilante, cobrando. O processo vai estar só começando'', diz.

''Qualquer dos dois que sejam eleitos tenho certeza que teremos condições de fazer com que possam preservar a independência do Legislativo'', declarou, pouco antes da votação, o deputado André Figueiredo (PDT).


Fonte: Diário do Nordeste


Nenhum comentário:

Postar um comentário