quarta-feira, 16 de junho de 2021

Homem é condenado a 16 anos de prisão por feminicídio de jovem trans cearense em São Paulo



A Justiça de São Paulo considerou Jonatas Araujo dos Santos, 27, culpado pelo feminicídio da mulher trans cearense Larissa Rodrigues, assassinada em maio de 2019 a pauladas no bairro Saúde, em São Paulo. A sentença proferida em júri popular finalizado na última quinta-feira, 10, ainda é singular em casos de assassinatos de mulheres trans e travestis.

Ainda em maio de 2019, o Ministério Público de São Paulo ofereceu uma denúncia de feminicídio contra o acusado. A denúncia, oferecida pelo promotor Romeu Galiano Zanelli Junior, tratou o crime como feminicídio (previsto no inciso II do parágrafo 2-A do artigo 121 do Código Penal) e destacou outros agravantes do homicídio, como meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima, que na visão da acusação foi alvo de emboscada.

"Por fim, também se extrai dos autos que o crime foi cometido por razões da condição de sexo feminino, pois envolveu menosprezo e discriminação à condição de mulher da vítima. É que, embora do sexo biológico masculino, ela havia adotado identidade de gênero feminina", pontuou o promotor nos autos da denúncia, aceita integralmente pelo juiz Felipe Vizotto Gomes, que decretou a prisão temporária. Ainda naquele ano, o juiz decidiu levar o acusado a júri popular.

O réu foi condenado a 16 anos, nove meses e 18 dias de reclusão em regime fechado por feminicídio, com o emprego de meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele segue preso.


Relembre o caso

Larissa Rodrigues era cearense e tinha 21 anos na época em que foi assassinada. Ela morava em São Paulo há quatro anos. Em entrevista ao site Ponte Jornalismo, Sorela Souza, amiga de infância de Larissa que também chegou a ser agredida por Jonatas, informou que a jovem foi abordada com violência. O homem teria tentado atropelar Larissa e, como não conseguiu atingi-la, saiu do local e voltou na sequência armado com um pedaço de madeira.

Atacada com golpes contínuos, a vítima ainda foi levada ao hospital, mas não resistiu. O socorro demorou cerca de 1h30min para chegar ao local, ainda de acordo com Sorela. Quando foi solicitado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a vítima ainda estava com vida. Ela faleceu em decorrência de traumatismo craniano.


Fonte: O Povo

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